Eu tinha terminado uma tarefa, que no momento não me recordo, no fundo do mar de "Fernando de Noronha". Saí da água e caminhei em direção à pousada, onde se encontrava alojadas as componentes do Grupo de Estudos Shama Hare (GESH).
Assim que cheguei, pedi ao recepcionista que ligasse para o quarto de D. Margarida, avisando-a que eu a esperava na sala de entrada da pousada.
Ele, por sua vez, respondeu-me:
- Você ainda não sabe o que aconteceu?
- Como assim? Não entendi o que você quis dizer...
- Deixa-me explicar: elas (referia-se às componentes do GESH) tomaram café e foram embora, em direção ao aeroporto. Chegando lá, embarcaram, porém, o avião não chegou a decolar, pois o mesmo explodiu.
- Explodiu?
- Sim. Explodiu. Colocaram uma bomba na turbina do avião e quando o piloto acionou o mecanismo para decolagem, o mesmo explodiu. Não foram somente elas que morreram, mas outras pessoas que também estavam no avião.
- E como você sabe de tudo isso?, perguntei-lhe, olhando fixamente em seus olhos para ver se ele estava falando a verdade.
Ele, na mesma hora, mudou de fisionomia. Vi que se tratava de um Reptiliano, com disfarce de recepcionista da pousada. Não deixei que ele percebesse a minha "descoberta".
Instantes após, ele continuou:
- Ligaram do aeroporto avisando-nos do ocorrido e solicitaram-nos que passássemos os dados de todas elas, no intuito de facilitar nas buscas e reconhecimentos dos corpos. Dentro de poucas horas, eles farão contato com as famílias, avisando sobre o acidente.
Nesse momento, vi Zambi* atrás de uma pilastra na varanda da pousada. Ele fez um sinal para que eu fosso ao seu encontro. Contudo, deveria, primeiramente, encerrar a conversa com o Reptiliano e, depois, sair dali, sem que ele me vigiasse para onde iria.
- Hum...Então, ta bom! Vou lá no aeroporto buscar mais informações e ver se posso ajudar em alguma coisa. Qualquer novidade, você me avisa, porque pode ser útil para esclarecermos este "acontecimento infeliz". Muito obrigada e até logo!
Ele fez um gesto com a cabeça em afirmativo e saiu para o interior da pousada. Eu, aproveitando o ensejo, fui ao encontro de Zambi. Assim que me aproximei, ele me falou:
- Vamos sair logo daqui! Depois conto tudo...
Ao acabar de falar isso, fez um gesto para que eu montasse num "leopardo". Ele, por sua vez, montou num "leão". Saímos dali em disparada, sem deixar vestígios.
Chegamos à ilha "Dois Irmãos". Caminhando pela areia da praia, Zambi esclareceu-me:
- Nós preparamos uma simulação para os Reptilianos, na qual eles pensaram que as suas companheiras do GESH faleceram, antes mesmo da decolagem do avião.
- ah, bom! Eu percebi algo de diferente assim que o vi, na pousada. D.Margarida já nos relatou sobre fatos parecidos a este em outras viagens que o GESH fez. Ela não me avisou o dia e a hora em que o Grupo iria embora. Ordenou-me um trabalho, em conjunto com os nossos irmãos Subaquáticos. Assim que terminei, quis passar-lhe o relato de tal tarefa.
- Ela não avisou, justamente, para que menos pessoas soubessem que todo o trabalho do Grupo já havia finalizado. Quanto menos pessoas soubessem, melhor para o bom andamento da obra. Assim, chegarão mais tranqüilas e seguras em Vitória. E não pense que ela se esqueceu de você. Antes de dirigir-se ao aeroporto, pediu-me para lhe avisar que os trabalhos foram encerrados e que, em breve, vocês irão se ver no GESJ.
Sorri-lhe, respondendo:
- Ainda bem que não me desesperei com a notícia que o Reptiliano me passou lá na pousada. Poderia ter colocado o nosso trabalho a perder, se agisse desta forma.
- Exato, minha irmã. Mente disciplinada e sempre voltada ao Alto; equilíbrio, fé e segurança, pois fazemos parte de uma mesma engrenagem: se um componente entra em desalinho, todo o trabalho será afetado direta ou indiretamente.
Terminado o nosso diálogo, Zambi foi "evaporando-se". Era como se eu estivesse conversado com um espectro, ou uma projeção. Vi, ainda, a sua imagem e a dos seus "felinos" sobrevoando todo o arquipélago de "Fernando de Noronha", passando por entre o lugarejo, a mata, as praias, enfim, todo o arquipélago recebeu a sua proteção.
Vi muitas ondinas, golfinhos, baleias e outros animais aquáticos fazendo uma saudação, ou um louvor, para a Paz e o Amor restaurados naquela região. Antes de voltar ao corpo físico, fiquei ainda embevecida com a ilha "Dois Irmãos". Senti que ali, por entre as duas pedras, que compõem este monumento natural, havia um Portal (positivo). Pode ser que eu esteja enganada, mas a vibração dessa ilha "Dois Irmãos" é muito forte e intensa, fazendo pulsar em mim sentimentos sublimes e benfazejos.
GESJ - 06/11/2009 - Vitória, ES - Brasil
Nota *: Zambi, Espírito de um grande Comandante de Guerreiros africanos e mais um grupo de espíritos felinos bastante adestrados.