CAPÍTULO 10
A Perda de Formas x A 2ª Morte
Já com os capítulos deste livro prontos, nos vimos na contingência de ventilarmos esse assunto, porque, em mais de uma mensagem recebida por um dos nossos médiuns, se fala dos ovóides, tema polêmico, do qual vamos expor o que conseguimos pesquisar.
A primeira vez que tomamos conhecimento do tema foi há muitos anos atrás lendo Libertação de André Luiz, psicografia de Chico Xavier. Mais tarde, em Elucidações do Além, de Ramatis, o capítulo intitulado "É Possível a Morte do Espírito?". Os tempos se passaram e foi lançado O Abismo, obra de revelações extraordinárias, bastante discutida nos meios espíritas, do saudoso Ranieri, onde é abordada a questão no capítulo "As Ovas".
Posteriormente, tive a sorte de obter o livrinho do também saudoso Edgard Armond, As Margens do Rio Sagrado, outra obra de revelação, onde no capítulo "Perda de Formas", o assunto é desenvolvido de maneira mais ampla, clara e elucidativa.
Valendo-nos desses 4 autores, faremos um ligeiro apanhado para que o leitor que nunca leu nada a respeito, possa tirar suas conclusões, analisando e checando com o conteúdo das nossas mensagens. Aliás, diga-se de passagem, como tudo na Criação é perfeito, a saída para esse impacto criado por nossos irmãos rebeldes e infelizes é fantástica e maravilhosa aos nossos pequeninos "olhos de ver".
Transcrevemos a seguir um diálogo elucidativo encontrado na obra O Abismo de R. A. Ranieri.
"... Estas são as madres de gestação. Aqui as criaturas espirituais que perderam todos os membros pela mentalização e conduta no mal, em luta contra as Leis de Deus, têm a oportunidade de jazerem à espera do despertar para subir ou retornar ao domínio da Lei renovadora. São como semente na Terra ou como ovos em chocadeira...
Não são estes os ovóides de que nos fala abalizado escritor espiritual? - interroguei recordando-me de outras informações.
- Realmente, são seres em condições semelhantes acontecendo somente que a situação espiritual destes é um pouco pior... já se desgastaram mais e atingiram profundíssimo estágio de inconsciência.
... Os ovóides de que nos falou o amigo espiritual ainda tinham fome e se ligavam a outras criaturas encarnadas. Estes não. Estes nem mais se alimentam; assemelham-se a ovos completamente fechados...
... A forma, como vêem, deforma-se, degrada-se e desgasta-se.
A mente conquanto não retrograde, perde pouco a pouco o seu poder de expressão e inicia o processo de paralisação de seus movimentos mais íntimos.
... Aqui estamos no limiar da 2ª morte. Se não houvesse este recurso da natureza que expressa a Lei de Deus que ainda quer salvar, estaria tudo perdido...
... A segunda morte é uma realidade. Morre-se no mundo inferior ao encontro das faixas vibratórias mais densas pela petrificação ou mineralização do perispírito, se assim podemos nos expressar, ou morre-se uma segunda vez quando se perde nas esferas superiores, o veículo perispiritual ao conquistar-se organismo mais sutil e sublimado.
... Em qualquer dos casos poderá vir a ocorrer uma desintegração atômica.
... A destruição do ser na sua maior intimidade que é a mente, reduto Sagrado da Divindade, também pode ocorrer, mas isso só mais tarde poderemos compreender.
... E a imortalidade não nos garante uma integridade da mente?
- A subdivisão da mente que um dia se tornou humana e que marcha ao encontro da angelitude é semelhante a subdivisão do átomo, quase inexplicável inicialmente pela ciência da Terra e tão fácil de entender hoje...
... O Espírito Sublime acariciou como era seu costume, um daqueles pobres adormecidos como se estivessem mortos, sem que este fizesse qualquer movimento por mais imperceptível que fosse, ou desse, por qualquer forma, demonstração de vida..."
Passemos agora as anotações de estudo de Edgard Armond do seu livro As Margens do Rio Sagrado, no capítulo "Perda de Formas".
"... Todos são casos difíceis e dolorosos, explicou, dentre os que enumerei antes, mas, quero mostrar um dos piores, que serve à edificação das almas empedernidas, pelo muito que impressionam, atemorizam e estarrecem a razão humana...
... Entre na frente e vi sobre o chão um ser diferente, seria humano? Estava deitado enrodilhado, em um dos cantos, mas logo se levantou sobre quatro patas quando nos percebeu; semelhava-se a um lobo, com o focinho comprido e os lábios arregaçados, numa espécie de sorriso alvar, mostrando os dentes; mas seu olhar - coisa incrível - não demonstrava ferocidade alguma mas, muito ao contrário, era afável, humano, inteligente; via-se nele agora, além disso, uma alta expressão de malícia ou zombaria e, tão intensa que nos fazia esquecer de suas formas animais de lobo, cuja pelagem avermelhada brilhava à luz do sol, que entrava pela janela. Levantou-se nas patas traseiras, abriu os braços lateralmente e caminhou para o Instrutor como a querer abraçá-lo, mas este, delicadamente, colocou sua mão direita sobre sua cabeça e ele, então recuou de rastros para seu canto, rosnando surdamente, como atemorizado ou contrariado e enrodilhou-se novamente no chão, olhando para nós de revés.
... Que animal é este? Por que está aqui misturado com os homens doentes?...
- ... Porque não é um animal, é um homem.
- Um homem? Com essa forma de lobo?
- Sim, um homem. Este é um dos casos de degenerescência psíquica, capítulo misterioso e surpreendente do livro da Criação. Por pertinácia inalterável e deliberada nas transgressões e na maldade, o ser humano degenera e retroage modificando, inclusive, a forma exterior que já havia, com esforço de milênios atingindo na evolução.
... Se a volta do espírito humano às formas animais pelas quais já evoluiu não é aceitável no plano encarnado no qual por força da organização genética, um homem nasce sempre um homem e não pode sofrer involução fora do seu reino, o mesmo, entretanto, não se dá neste plano espiritual em que estamos agora.
... Este plano em que estamos aqui é o plano das paixões, dos desejos e das emoções livres e a mente, sempre ativa, cria as formas que correspondem ao que o espírito sente e do que é na intimidade do seu psiquismo.
... Aqui o espírito tem a forma que corresponde à sua própria condição espiritual e sua mente, por conseqüência, é a matriz da forma. Aqui o espírito se apresenta como é na realidade, sem os disfarces do corpo denso. Se o espírito é feroz, violento, a forma não pode ser de uma borboleta. A mente é criadora e é nisso que nos assemelhamos a Deus. E cria segundo suas próprias condições características e possibilidades psíquicas e não poderia fazê-lo diferentemente, mesmo que o quisesse.
Este ser que acabamos de ver foi localizado e caçado nas regiões trevosas, não porque fosse um transgressor, mas por que era um homem degenerado que perdera sua forma humana. Com que forças e poderes iria ele contar para se reabilitar?...
... Hä 50 anos que isto aconteceu... já vamos notando certas pequenas alterações... esforço visível para expressar-se de forma diferente que latidos, rosnidos e uivos".
Citaremos a seguir, trechos da obra Libertação de André Luiz, psicografia de Chico Xavier.
"... - Confesse! Confesse! - determinou o desapiedado julgador, conhecendo a organização frágil e passiva a que se dirigia.
A desventurada senhora bateu no peito, dando-nos a impressão de que rezava o "Confiteor" e gritou lacrimosa:
- Perdoai-me! Perdoai-me, ó meu Deus!
- Matei quatro filhinhos inocentes e tenros... e combinei o assassínio de meu intolerável esposo...
... - A sentença foi lavrada por si mesma! Não passa de uma loba, de uma loba, de uma loba...
À medida que repetia a afirmação, qual se procurasse persuadi-la a sentir-se na condição do irracional mencionado, notei que a mulher profundamente influenciável, modificava a expressão fisionômica. Entortou-se-lhe a boca, a cerviz curvou-se, espontânea, para a frente, os olhos alteraram-se dentro das órbitas. Simiesca expressão revestiu-lhe o rosto.
... Temos aqui a gênese dos fenômenos de licantropia, inextricáveis ainda, para a investigação dos médicos encarnados.
... Ela não passaria por esta humilhação se não a merecesse... (palavras do Instrutor Espiritual).
... Percebi que a infeliz se cercava de três formas ovóides, diferenciadas entre si nas disposições e cores... Reparo sim a existência de três figuras vivas que se lhes justapõem ao perispírito, apesar de se expressarem por intermédio de matéria que me parece leve gelatina, fluída e amorfa (vem logo a explicação).
- São entidades infortunadas, entregues aos propósitos de vingança e que perderam grandes patrimônios de tempo, em virtude da revolta que lhes atormenta o ser, gastaram o perispírito, sob inenarráveis tormentos de desesperação e imantam-se, naturalmente, à mulher que odeiam...
... Reparei, não longe de nós, como que ligados às personalidades sob nosso exame, certas formas indecisas obscuras. Semelhavam-se a pequenas esferas ovóides cada uma das quais pouco maior que um crânio humano. Variavam profusamente nas particularidades. Algumas denunciavam movimento próprio, ao jeito de grandes amebas, respirando naquele clima espiritual; outras, contudo, pareciam em repouso, aparentemente inertes, ligadas ao halo vital das personalidades em movimento...
... Grande número de entidades, em desfile nas vizinhanças da grade, transportavam essas esferas vivas, como que imantadas às irradiações que lhes eram próprias...
... - Já ouviste falar, de certo, numa "segunda morte"?
... - Sim, tive notícias de amigos que perderam o veículo peripiritual, conquistando planos mais altos...
Continua o Instrutor nas suas elucidações:
- ... Os ignorantes e os maus, os transviados e os criminosos também perdem, um dia, a forma perispiritual. Pela densidade da mente, saturada de impulsos inferiores, não conseguem elevar-se e gravitam em derredor das paixões absorventes que por muitos anos elegeram em centro de interesses fundamentais. Grande número, nessas circunstâncias, mormentes os participantes de condenáveis delitos, imantam-se aos que se lhes associaram nos crimes...
... - E se consultarmos esses esferóides vivos? Ouvir-nos-ão? Possuem capacidade de sintonia?
... - Perfeitamente, compreendendo-se, porém, que a maioria das criaturas, em semelhante posição nos sítios inferiores quanto este, dormitam em estranhos pesadelos. Registram-nos os apelos, mas respondem-nos de modo vago, dentro da nova forma em que se segregam, incapazes que são, provisoriamente, de se exteriorizarem de maneira completa, sem os veículos mais densos que perderam, com agravo de responsabilidade, na inércia ou na prática do mal. Em verdade, agora se categorizam em forma de fetos ou amebas mentais, mobilizáveis, contudo, por entidades perversas ou rebeladas.
O caminho de semelhantes companheiros é a reencarnação na Crosta da Terra ou em setores outros de vida congênere, qual ocorre à semente destinada à cova escura para trabalhos de produção, seleção e aprimoramento*...
... Ali, diante dos esferóides vivos, tristes mentes humanas sem apetrechos de manifestação, meu respeito ao veículo de carne cresceu de modo espantoso".
*Obs.: o grifo é nosso.
Antes de entrarmos nos argumentos bastante sensatos e contundentes do nosso querido mentor Ramatis, vamos tecer algumas considerações sobre este tema tão polêmico, apaixonante e muito pouco conhecido.
Há correntes espiritualistas diversas, cada qual explicando ao seu modo o que acontece com o ser humano depois da sua queda espiritual de degrau em degrau até chegar aos confins das regiões abismais, fechar-se numa carapaça horrível, após a perda total do corpo astral, tomando uma forma ovóide e entrando num estágio de inconsciência profunda.
Uns defendem o princípio de que na fase de ovo, se o espírito não despertar para a realidade da vida, saindo da sua inconsciência acontecerá o aniquilamento total do espírito e a sua reintegração como centelha divina do Conjunto Universal.
Outros espiritualistas afirmam que se o espírito prosseguisse com sua rebeldia e desobediência às Leis de Deus, continuando a praticar o mal, haveria a regressão com a perda total da mente e voltaria para os reinos anteriores.
Vamos abrir um parêntese para avaliarmos essa assertativa.
Grandes Instrutores Espirituais nos asseguram que a partir daquele ponto, de degradação, quando o espírito já não possui mais forma alguma, nem mesmo de animal, completamente alheio à vida em torno de si próprio, não pode haver mais retrocesso por vários motivos:
1) Porque aquele pobre infeliz não goza mais de liberdade de ação, conseqüentemente não pode mais agir;
2) Porque aquele irmão não dispõe mais do seu livre arbítrio;
3) Ele não tem consciência da sua própria existência individual.
A partir daí não existe mais meios e condições favoráveis para a prática de qualquer ato, quer positivo ou negativo.
Contudo, continuam Eles nos explicando que à proporção que o núcleo espiritual for com o tempo reagindo, entrando em fase de recuperação, o pseudo ovo volta paulatinamente a readquirir novas formas na sua fase ascencional normal como ocorreu nos estágios primários de sua evolução.