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A Esperança é sempre o combustível da mente comprometida

26/11/2013

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Fui um Vampiro.

Bebia sangue das pessoas quando ainda era vivo, em rituais de "magia negra". Daquela época só me recordo que me sentia aprisionado entre dois mundos, escravizado por força maior do que a minha.

Não possuía mais vontade própria, embora para aqueles que conversavam comigo, eu parecesse uma pessoa normal.

Meu pensamento não era meu. Minha inteligência não era minha, e minhas ações eram decorrentes de minha mente perturbada. Mas, não foi sempre assim.

Tudo começou quando a falência e graves problemas financeiros empurraram-me na busca de soluções fáceis e rápidas para as dificuldades que enfrentava.

Indicada uma "feiticeira", busquei seus préstimos e logo obtive resultado. Fiquei admirado e grato; virei cliente assíduo, envolvendo-me mais do que deveria, numa trama sórdida e perversa que me colocou a perder.

No inicio eram apenas animais que sacrificávamos, mas com o tempo, fui me acostumando, me tornando insensível aos dolorosos quadros de morte dos bichos, e aceitando aquilo como algo natural.

Então fui ensinado a usufruir do sangue vivo e quente dos seres sacrificados, e as sensações que experimentei deixaram-me inebriado.

Posso lembrar-me até hoje, do prazer que senti sorvendo fresca a seiva da vida, depois de ser entorpecido pelo cheiro das ervas e beberagens oferecidas aos participantes no ambiente, antes de cada sacrifício.

Mas o prazer de alguns instantes passava rápido e logo vinha o peso da prisão, das correntes que me ligavam fortemente ao local onde praticávamos os atos ignóbeis.

Não sei por quanto tempo fui devoto de práticas tão medonhas, nem tampouco recordo há quanto tempo desencarnei; mas, os acontecimentos que se sucederam, as lutas com seres horrendos em busca de sangue para aplacar a sede insaciável, o terror de caminhar por locais sombrios e perigosos, o desespero de encontrar seres assustadores e não achar forças para deles fugir, estão marcados em minha mente.

Orei a Deus pedindo clemencia, nessa hora uma nesga de humanidade apossou-se de mim e fui levado ao encontro de minha mãe, que chorando suplicou para que eu pedisse perdão a Deus e me corrigisse do vício hediondo.

Até aquele instante eu ainda não havia percebido o quanto estava dependente do consumo de sangue, viciado e vencido pelo desejo de matar e usurpar o fluido vital de minhas vítimas.

Desde então procuro um caminho de redenção.

Sinto vergonha e medo.

Tenho momentos de completo nojo de mim mesmo, seguido de forte ímpeto de me matar e confesso que algumas vezes já tentei, sem sucesso; foi então, que descobri já estar morto.

Passei a receber a visita periódica de enfermeiros e psicólogos que muito têm me ajudado, a recuperar a sanidade mental e a me sentir humano de novo.

Às vezes, quando vem a recaída, tenho ímpetos de avançar e atacar meus benfeitores e quando recobro a consciência, a vergonha e o nojo são ainda maiores. Como posso querer prejudicar aqueles que procuram meios de me ajudar? Como pude chegar a tal ponto?

Quando me disseram, que um Grupo estava reunindo depoimentos de ex Vampiros, para alertar as pessoas sobre as consequências de se trilhar pelos caminhos desse vício, achei que minha história poderia ser útil.

Então é aceitar o sofrimento e dar as mãos a Deus, o Único que pode nos ajudar a sair do buraco.

Tudo o que chegar como promessa de solução fácil, desconfiem e fujam, pode ser armadilha e de um simples falido, devedor como eu, você pode se tornar um fraco, asqueroso e escravizado Vampiro.

Peço que enviem uma mensagem de perdão e gratidão a minha mãe, para que saiba que estou tentando, graças a ela, sair dessa vida, e breve, com fé, estarei pronto para recomeçar.

Como já aprendi com os psicólogos: a esperança é o combustível da mente comprometida, pois amanhã será sempre um dia cheio de novas oportunidades de renovação.

Paz a todos.

 

Denis

Ex Vampiro

GESH - 04/10/2013 - Vitória, ES - Brasil




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