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Pétalas de Luz! - 31

17/04/2000

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CAPÍTULO 7

Explosão Nuclear

Transcorria o ano de 1945.

A segunda grande guerra mundial prosseguia, com sua caravana de horrores, tragédias e crueldades que somente ela, a guerra, tem o poder de desencadear.

Amanheceu o dia 9 de Agosto, lindo como qualquer dia de sol, com os pássaros cantando, a moçada caminhando rumo às escolas, os camponeses nas fazendas cuidando do plantio, dos animais e de outras tarefas rotineiras, as donas de casa ligadas aos seus afazeres domésticos; enfim, um dia comum como tantos outros.

11 horas marcavam os ponteiros, quando algo diferente explode no ar, a 500 metros de altura, naquela cidade tranqüila. Em seguida, um vento fortíssimo, com velocidade de 2 km por segundo, dispersou, destruiu e triturou tudo que encontrou à sua frente. Um vácuo imenso formou-se no centro da explosão, que como um aspirador gigantesco, sugou os escombros à uma grande altura, largando logo após toda massa aspirada que, por sua vez foi arrebentando tudo que encontrava à sua volta.

A temperatura subiu para 9.000 graus centígrados, queimando tudo a uma distância de quilômetros. Enquanto todo esse desequilíbrio dos elementos da natureza desenrolava-se, os fragmentos da "coisa" caíam incandescentes, provocando incêndios por toda parte. O sol ficou encoberto por uma nuvem de fumaça e resíduos de tal sorte que lembravam um eclipse total. Após alguns minutos, a nuvem abaixou e uma luz fraquinha começou a clarear o campo da carnificina.

Houveram mais de 30.000 mortes e mais de 10.000 feridos gravemente, além de dezenas de milhares de outras pessoas ficarem doentes pela ação da radioatividade. Foi um horror... As árvores foram arrancadas, todo o verde queimado, as casas arrasadas, umas pessoas tiveram as cabeças decepadas, outras o ventre rasgado sem as vísceras; todas ficaram nuas, pois as vestes se transformaram em cinzas. As peles dos corpos foram arrancadas como tiras; foi encontrada uma mulher com o ventre aberto e seu futuro filho entre as pernas. A 3 km de distância do local fatídico, as pessoas tiveram seus corpos uma hora depois, cobertos de bolhas de queimaduras. Primeiro sentiram uma dor intensa, seguida de um frio excessivo.

Os fragmentos da bomba variavam do tamanho de uma bola de gude a uma de futebol. E pensar-se que esse terrível instrumento da morte, a bomba atômica, foi gerada na mente de um ser humano, cujo cérebro privilegiado, por invigilância espiritual, trabalhou a serviço das "Trevas" no plano físico, representadas pelas forças políticas corruptas, gananciosas de poder, frias e insensíveis ao sofrimento e miséria do povo menos favorecido. Mas, quem foi o "pai" da bomba atômica, esse monstro destruidor? Quem foi esse homem?

Em ligeiras pinceladas, vamos dar o perfil desse personagem tão falado à época pós-explosão da bomba. Chama-se Jacob Robert Oppenheimer, nascido em 1904. Cientista desde criança, vivia para a ciência, não se preocupava com as realidades políticas, sociais e econômicas. Aos 11 anos de idade, já pertencia ao Clube de Minerologia. Depois, diplomou-se em Química e passou a estudar Arquitetura. Formou-se arquiteto, foi estudar Física na Inglaterra e depois na Alemanha. Aos 21 anos, já era conhecido por uma descoberta chamada Processo Pooheimer Phyllips, baseada na colisão de partículas atômicas. Estudava Astronomia, concentrando-se sobre os "quasares", as pequenas porções cósmicas que emitem luz e ondas radiativas de grande intensidade. Aos 25 anos já lecionava no Instituto de Tecnologia da Califórnia e na Universidade de Berkeley. Falava 8 idiomas e dominou o holandês em 6 semanas, só para fazer uma conferência em Amsterdã. Aprendeu o sânscrito só para se comunicar por cartas com pessoas que conheciam esta língua.

Como homem era muito só, arredio, ingênuo, emotivo e fácil de se apaixonar. Não era dado a ler jornais e revistas, não tinha rádio e nem telefone; suas amizades eram pessoas da Universidade.

Foi duramente injustiçado quando o governo americano o rotulou de comunista, destituindo-o alguns direitos e mantendo-o debaixo de vigilância ostensiva de policiais; todavia, sua tragédia íntima não resultou dessa perseguição política e sim do despertar de sua consciência; consciência esta que explodiu no momento exato em que o terrível fogo, em forma de cogumelo, subiu ao céu na primeira experiência atômica, e ele se deu conta de ter inventado mortífero instrumento. Repetiu então a frase de Baghvad Gita, livro sagrado dos hindus: "tornei-me a morte, o destruidor dos mundos".

Os colegas, insensíveis, comemoraram eufóricos o invento com uma taça de vinho. Ele não comemorou.

Oppenheimer, a partir daquele instante, tomava conhecimento do problema mais grave que têm os homens hoje: "é lícito levar até o fim o saber, se com este se liqüidam milhões de criaturas de uma só vez?" Os americanos, a essa altura, começaram a pensar na fabricação de uma super-bomba e Oppenheimer começou a defender a divisão dos segredos atômicos com outras nações, a pedir a intervenção da ONU e a desencorajar os colegas, para não trabalharem na fabricação da bomba de hidrogênio. Ele foi o homem que mais protestou em 1950, quando Truman, presidente dos EUA, passou por cima do Comitê de Energia Nuclear e ordenou a fabricação da super-bomba.

A bomba foi construída pelo cientista Edward Teller e em poucos meses ficou pronta e foi detonada; no entanto logo em seguida os russos detonaram a sua.

Foi durante os anos de sofrimento físico, pois ele veio a falecer de câncer na garganta, que Oppenheimer dedicou-se aos estudos mais profundos, fez as mais lindas conferências, escreveu as coisas mais nobres e foi mestre de ideais claros e elevados. Explicava que a ciência é boa e não se deve temê-la, que a ciência é cultura e que não é preciso isolá-la, porque de uma grande desgraça pode nascer uma grande felicidade. Já era humilde e tornou-se muito mais.

Quando alguém um dia lhe perguntou:

- Professor, por que não escreve a verdade? (referia-se esse alguém às injustiças sofridas por ele).

Ele respondeu:

- Não o farei nunca. A verdade está dentro de nós, não é necessário prestar conta dela aos outros.

Para encerrar esse pequenino resumo, acrescentaremos que Oppenheimer recitava Dante Alighieri, autor da Divina Comédia, em italiano, lia Homero em grego, conhecia de cor peças de Bach e outros gênios, discutia pintura como crítico de arte, era apaixonado pelo poesia medieval francesa e pela filosofia hindu.

Este era o homem definido como gênio, amado por uns, odiado por outros e incompreendido por tantos outros.

Considerações

Todos os danos das explosões nucleares, durante a 2ª guerra mundial e os inúmeros testes que até hoje se realizam, repercutem sobre todos os seres vivos, sobre a crosta terrestre e o seu interior, e a propagação dessas radiações alcançam outros planetas e suas humanidades.

Oppenheimer, em seus piores pesadelos, não poderia alcançar o horror de sua criação; a pequena biografia que apresentamos nem pretende julgar nem absolver, porque não nos compete, mas apenas mostrar a riqueza da complexidade humana, os riscos do enorme desperdício de talento, mormente em se tratando de um potencial científico.

A ciência tem que caminhar junto com a ética, sob a pena do homem, na sua onipotência, se arvorar "sócio de Deus".

Em vez do cientista ser um peregrino do "absoluto", será um peregrino do absurdo.




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